Segunda-feira, 8 de Março de 2004
O sr. Vital Moreira, para não me nomear ou linkar, meteu-se com o Francisco a propósito do que eu escrevi (melhor: do que dirigentes árabes disseram) sobre os "palestinianos". Vindo de quem vem, percebo o método; neste caso particular não percebi se são as aspas que o incomodam ou se é o alegado muro da Cisjordânia. Voto na segunda hipótese: desde que outro muro lhe caiu em cima, vai para uns anos, o sujeitinho ficou assim a modos que desiludido e traumatizado com este tipo de construções. Tudo bem. Eu, por exemplo, também não gosto de marquises - e jamais passei décadas a venerá-las.


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Sexta-feira, 5 de Março de 2004
Este privilegiado, vá lá saber-se por que meios subsidiários do grande capital, já tem acesso ao novo disco dos Magnetic Fields. Mesmo no malévolo Império, o cd só sai em inícios de Maio. Mesmo no Kazaa, não há vestígios. O dr. Soares fala com palavras justas: o mal não é a globalização, mas esta globalização assimétrica, que deixa uns cada vez mais ricos e os restantes à míngua. Um outro mundo é possível: um mundo em que canções previsivelmente geniais sejam património simultâneo de todos; um mundo feito de refrões partilhados e cantados em uníssono; um mundo em que as prateleiras da Fnac não coloquem o dvd da Ala (que se faz tarde) dos Namorados na secção "música" e soneguem ao povo o direito à música de facto. Eu tenho um sonho.

A tempo: quando o Fórum Social discutir a transação das obras de Stephin Merritt, além da solidariedade e do "Che", contem comigo para partir umas montras.


publicado por ag às 11:40 | link do post

Quarta-feira, 3 de Março de 2004
«Agora, um trotsquista qualquer (como se alguém pudesse ser membro de um partido "goebbelsiano" ou "himleriano" e, ao mesmo tempo, ser considerado respeitável)(...)» (Luciano Amaral)



P.S.: E com estas e com outras descobri a forma de inserir aspas no meu template. Obrigado, "Palestina".


publicado por ag às 15:32 | link do post

Ouvi agora uma reportagem na TSF, que é uma rádio. Eu gosto muito das reportagens da TSF. A reportagem de hoje era sobre uma turma do sétimo ano de meninos e meninas de Ermesinde que têm aulas de educação sexual com uma setôra de educação sexual. A setôra dizia imensas coisas e os meninos e meninas também e eram coisas bonitas, parecidas com aquilo que os concorrentes do Big Brother e da Operação Triunfo dizem. O momento mais giro foi quando uma menina disse que o período fértil era igual ao cio e a setôra mandou toda a gente procurar no dicionário. E depois outra menina disse que os rapazes têm de ter sempre relações sexuais senão os outros rapazes gozam com eles e a setôra interrompeu a menina para exclamar ‘se calhar, estamos aqui a falar de uma coisa que a Filipa introduziu’, mas não chegou a dizer o que é que a Filipa introduziu. Ou foi a TSF que não deixou.


publicado por ag às 15:26 | link do post

Parece que o Cruzes Canhoto tem dificuldade em situar cronologicamente a Bíblia. Bem sei que o tema é polémico, mas não exageremos. Ontem, dei uma data de exemplos. Como não adiantaram, aqui vai outro: quando Zuheir Muhsin (hoje Issam Al-Qadi), que foi líder da ala militar da OLP e membro do seu Conselho Executivo, diz ao jornal holandês «Trouw», em 1977, que ‘a existência de uma identidade palestiniana autónoma apenas serve propósitos tácticos’ e que ‘a fundação de um estado palestiniano é um novo instrumento na batalha contínua contra Israel’ está a referir-se a um período posterior à conclusão da Bíblia. Mesmo o Novo Testamento já havia fechado a edição uns anitos antes de 1977.



P.S.: E agora que as questões ontológicas terão sido esclarecidas, posso manter o direito à propriedade da minha casa?


publicado por ag às 15:25 | link do post

Terça-feira, 2 de Março de 2004
Este moço do Barnabé, canino discípulo do dr. Louçã (nota-se pela raiva), volta à carga com os ‘palestinianos’ e as aspas. Tentei a brandura; desçamos ao pormenor (não exaustivo):



«A única dominação árabe [na ‘Palestina’] desde a Conquista de 635 durou, no máximo, 22 anos...»



- Comentários do Líder da Delegação Síria à Conferência de Paz de Paris, 1919



«Consideramos a Palestina como parte integrante da Síria Árabe, da qual nunca esteve separada.»



- Resolução do Primeiro Congresso de Associações Cristãs e Muçulmanas, 1919



«É tempo de que a ‘cidadania’ palestiniana deva ser reconhecida por aquilo que, de facto, é: nada mais que uma fórmula legal sem significado moral.»



- Relatório da British Palestine Royal Commission, 1937



«Não existe nenhum país chamado Palestina! Esse é um termo inventado pelos sionistas! Não há Palestina na Bíblia. A nossa terra foi durante séculos parte da Síria.»



- Depoimento de Auni Abdul-Hadi, líder árabe local, à Comissão Peel, 1937.



«A região foi chamada de Palestina pelos romanos de forma a erradicar qualquer vestígio da sua história judaica.»



- Reverendo James Parks, «Whose Land?», 1970



«A palavra Palestina não existe no Antigo Testamento. (...) nem no Novo.»



- Bernard Lewis, «The Palestinians and the PLO, a Historical Approach, 1975



«A adopção oficial do nome Palestina pelos romanos para designar os territórios dos antigos judeus, sobretudo da Judeia, parece ser posterior à supressão da grande revolta judaica de Bar-Kokhba em 135 Antes da Era Comum. (...) parece que o nome Judeia foi abolido (...) e a região renomeada Palestina ou Palestina Síria, com a intenção de obliterar a sua identidade judaica. O nome anterior não terá desaparecido completamente, já que no século IV, ainda encontramos um autor cristão, Epiphanius, referir-se à ‘Palestina, isto é, Judeia’.»



- Bernard Lewis, idem.



«O nacionalismo palestiniano-árabe é sobretudo um fenómeno posterior à I Grande Guerra, e que só se tornaria um movimento político significativo após a Guerra dos Seis Dias e a anexação, por Israel, da Faixa Ocidental.»



- Mitchell Bard, «Myths and Facts, a Guide to the Arab-Israeli Conflict», 2002



«’Palestina’ é algo que definitivamente não existe em termos históricos.»



- Depoimento ao Comité de Inquérito Anglo-Americano do Prof. Philip Hitti, árabe, opositor da criação de Israel, 1946.



«Politicamente, os árabes da Palestina não são independentes no sentido em que constituam uma entidade política autónoma.»



- Representante do Alto Comité Árabe para as Nações Unidas em declarações à Assembleia-Geral das ditas, 1947.



«É do conhecimento comum de que a Palestina não é mais do que o sul da Síria.»



- Ahmed Shuqeri, antigo líder da OLP, citado em Avner Yaniv, «PLO», 1974.



«As comunidades de língua árabe na ‘Palestina’ pensavam em si enquanto ‘otomanos ou turcos’, sírios do sul ou ‘povo árabe’ - mas nunca como ‘palestinianos’.»



- Joan Peters, «From Time Immemorial», 1984.



Queixinhas acerca das contradições entre as afirmações acima, assim como da recusa de certos países em aceitar receber aqueles a que chamam de ‘irmãos’, devem ser endereçadas a quem de direito. Para mim, chega. Discutir com escumalha, ainda vá. Com um simples idiota, não tenho paciência.


publicado por ag às 16:27 | link do post

O Barnabé deseja saber porque é que eu escrevo ‘palestinianos’ com aspas e pede explicações.

Ora pois. Primeiro, e embora seja essa a intenção, eu não escrevo nada com aspas, mas com umas coisas que o miserável do template me arranja. Depois, eu explicaria de bom grado. Mas ou muito me engano ou o Barnabé conhece os motivos e a pergunta é retórica e não tira o sono a ninguém daquelas bandas. Se assim não for, avisem que eu entro em detalhes: acho fundamental que o Barnabé durma em sossego pelo menos oito horas diárias, já que não parece plausível entre nós qualquer amizade.


publicado por ag às 11:00 | link do post

Ao contrário do Pedro Mexia, não tenho amigos na esquerda ou na direita. Quer dizer, na direita tenho um, a que aliás penso que o Pedro alude, mas não é nada ortodoxo. Os meus amigos, três ou quatro bem contados, não votam. Excepção ao já referido, julgo que não possuem cartão de eleitor e têm uma vaga ideia sobre quem é o actual primeiro-ministro.

Antes assim: eu também não divido nem congrego as pessoas de acordo com a crença ideológica. Para mim, a única separação válida que aplico às pessoas que me rodeiam é a disciplina de sono. Há os que se impõem horas de dormir e os que dormem quando calha - e se calha. Os primeiros são, não restem dúvidas, mais decentes, confiáveis e aborrecidos. Os segundos constituem o meu círculo de amizades. Altamente comprometedoras, reconheço.


publicado por ag às 10:54 | link do post

Segunda-feira, 1 de Março de 2004
Quinta-feira passada, jantei em Leça da Palmeira com três célebres vultos do liberalismo pátrio, vulgo «Nova Direita». Pedi perna de anho no forno. No final do longo jantar, decretámos que ‘isto’ não tem emenda. O anho estava uma delícia, mas não é elegível.


publicado por ag às 12:39 | link do post

«Imagino um dia feliz de megalomania em que me chega um telegrama a casa dizendo que metade da humanidade pediu um dos meus livros e que, cientificamente provado, o leu, ou fez que alguém o lesse em voz alta!»


publicado por ag às 12:20 | link do post

Como sempre, convenço-me a ver os óscares. Como sempre, adormeço a meio, aí por alturas da Melhor Fotografia ou palermice do género. Como sempre, sou informado de manhã acerca dos vencedores. Como sempre, fico espantado com a boçalidade das decisões.

Acho que, durante a minha existência, nunca o Melhor Filme designou um filme realmente bom. A ocasião em que se terá andado mais perto foi com «Imperdoável», mesmo assim obra ‘menor’ de Clint Eastwood. Nos outros óscares relevantes, a paisagem pouco melhora: Oliver Stone venceu dois bonecos de Melhor Realizador, Jack Nicholson é recordista e até Al Pacino, ceguinho e com Ferrari, mereceu honras da Academia ou lá o que é.

De facto, o lixo parece ser a regra, e este ano a regra instituiu-se de vez: um video-game arrecada uma resma de prémios; um vídeo-clip (brasileiro) teve quatro nomeações; Sean Penn é o Melhor Actor e «Lost in Translation» ficou, como se diz na bola, em branco. Escusado lembrar que «American Splendor» nem foi para aqui chamado e que «Pieces of April» recebeu uma nomeação fortuita.

Há, então, motivos para malhar no cinema americano? Nem tanto. Entre as principais categorias de 2003, os únicos produtos aproveitáveis são dos poucos realizados por cidadãos dos EUA: Sofia Coppola, Eastwood e Gary Ross. A desgraça vem de longe, da Nova Zelândia, da Inglaterra, da Austrália e nem sei qual a origem daquela miséria ‘sobre’ Vermeer.

Nos bons tempos, os realizadores europeus (sobretudo vindos do Leste) chegavam aos EUA e desatavam a verter maravilhas; agora, maçam-nos a paciência com o que eles julgam serem épicos modernos ou com a famigerada ‘sensibilidade alternativa’ (cujas sobras particularmente repugnantes enchem os festivais de Cannes e Berlim para gáudio de analfabetos). E a América, por misterioso complexo de culpa ou por contágio, recompensa-os com pompa e estatuetas.

Ao ‘abrir-se’ para o mundo, o cinema americano (passe as excepções e a redundância) perde em vigor e nitidez o que alcança em infantilidade e ‘introspecção’ oca. Principalmente, tende a fechar-se para o talento, pelo menos no que à consagração dos óscares diz respeito. Hollywood, que dantes era a Meca das fitas, ameaça hoje tornar-se na terra média, ou algo pior. Para desopilar, e parafraseando a dona Anabela Mota Ribeiro, hoje vou rever qualquer coisinha com o Cary Grant. Ou com o Jim Carrey. Nenhum deles - incluindo a dona Anabela - ganhou um óscar.


publicado por ag às 12:17 | link do post

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