Sexta-feira, 22 de Agosto de 2003
Na Sic Notícias, o sr. Álvaro de Vasconcelos garantiu-nos que o atentado de Bagdad arrasou as alternativas «externas» à ocupação americana. Dez minutos depois, o mesmo cavalheiro decidiu que o atentado de Bagdad servirá para abrir a «intransigente» política dos EUA na zona a um lindo arco-íris «multilateralista». O programa em causa intitula-se «Duelos Imprevistos», e o nome até tem razão de ser: enquanto o sr. Vasconcelos esgrimia com destreza o pandemónio que lhe vai na cabeça, Loureiro dos Santos, ainda a contar os passos, mostrava-se no mínimo estupefacto com a rapidez desconexa mas demolidora do rival. Não esperei para ver o desfecho, a violência incomoda-me.


publicado por ag às 01:42 | link do post

Uma reportagem sobre incêndios informa-me da existência de Odelouca, concelho de Silves, Algarve. Repito: Odelouca, como Sonetodoido, Quadratonta ou Elegiainsana. O facto até pedia um qualquer trocadilho idiota, mas só consigo pensar em Cesariny, em O’Neill, em António Maria Lisboa. Não teria sido o acaso a ditar que todos os grandes poetas do nosso séc. XX fossem surrealistas.


publicado por ag às 01:22 | link do post

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2003
Mil perdões: afinal a edição do «Expresso» referida no post anterior era a de 16 de Agosto de 1997. Talvez os escassíssimos pormenores que distinguem os 1607 números do «Expresso» entre si (a data é um deles; a publicidade no saco, por exemplo, é outro) estejam na origem da desagradável troca. Fica a correcção.


publicado por ag às 15:14 | link do post

Enquanto arrumava velharias, descobri um guia «de A a Z» da Universidade Moderna, distribuído com o «Expresso» de 23 de Agosto de 1997. O livrinho, de sessenta e três absorventes páginas, além de ilustrar a verdadeira essência da instituição, impossível de perceber nas sessões do julgamento anteontem retomado, proporciona quinze minutos de uma hilaridade só comparável à obra escrita de Woody Allen e aos diários de Saramago. Em favor do respeito devido aos autores (aliás, modestamente anónimos), as citações são textuais e os comentários limitar-se-ão à brevidade exigível.

Apesar do bonito e revelador lema que à época ostentava, «O Espírito Move a Matéria» (pois move), o conceito orientador da Moderna parecia ser o de «núcleo». De facto, esta universidade, sempre «atenta à realidade» (hum, hum), contava com uma série infindável de «núcleos», dos quais me permito referir o «núcleo» de Moda e Design, o «núcleo» de Vídeo, o «núcleo» de Rádio, o «núcleo» de Música (com cinco requisitadas «tunas»), o «núcleo» de Teatro e, destacando-se na «plêiade de actividades culturais em movimento», o célebre «núcleo» de Filatelia.

Não obstante a importância dos «núcleos», a universidade não podia desprezar o desporto, pois «Corpo São em Mente Sã» era (é?) outro dos seus lemas. Apetrechados do apoio da Reitoria, os alunos participavam «empenhada e livremente» (supunha-se ser a ordem arbitrária) em tantos jogos que só lhes devia faltar a bisca, e mesmo esta esteve por um triz. Se não acreditam, reparem: futebol, basquetebol, andebol, voleibol, vela, equitação, remo e «karting». O «karting», como seria de esperar, era a jóia da coroa, sendo até responsável pela «transferência do ano!» (assim, com exclamação e tudo). Interroga-se o leitor sobre o sujeito deste prodígio, mas sem razão. Nem a distância face aos meandros académicos desculpa que se ignore Gonçalo Gomes, um «jovem», um «modelo para a sua geração», corredor intrépido de «Fórmula Opel» e, há seis anos pelo menos, feliz discente de Direito da competitiva casa.

Os automóveis velozes fizeram história por aqueles lados, porém Gonçalo não era o único a acumular prazer e estudo. Os demais alunos, modelados na imagem do ídolo, também conseguiam, entre a participação num «núcleo» e uma prova de equitação, frequentar, imagine-se, alguns cursos. Que cursos? Aqui, e mais uma vez, o jovial exotismo da Moderna entrava em campo. Para lá do Direito e da Arquitectura, bem como de diversas engenharias (dos «Transportes» à «Automação e Controlo»), todos vorazes sorvedores de recursos, este «ambicioso» (o adjectivo não é meu) templo do saber dedicava-se ainda às Ciências do Ambiente, à Gestão do Desenvolvimento e Cooperação, à Informática de Gestão, à Organização e Gestão de Empresas («gestão» era outra ideia-chave) e à Investigação Social Aplicada (de facto tratava-se de Assistência Social, mas soava muitíssimo melhor). A culminar, seria imperdoável esquecer a revolucionária formação em Psicopedagogia Curativo (sic, incluindo o erro no género), onde pontificavam, sem ironia, disciplinas de vanguarda como a Antropologia do Homem Perturbável, a Biopsissociologia da Pedagogia e a imorredoura Antropopsicossociologias da Aprendizagem, entre outras.

Se acrescentarmos que esta universidade dispunha de professores como Camilo José Cela, Gorbatchev ou Ximenes Belo (infelizmente pouco vistos nas instalações), só restava saber como tais maravilhas chegavam ao conhecimento de um público vasto e ansioso por semelhantes luzes. Fácil, fácil, bastando para isso estar «na dianteira das inovações tecnológicas e de Marketing» e assim «colocar virtualmente nos relvados dos campos de futebol o seu logotipo, no decurso de transmissões em directo, inclusive internacionais». As canetas, as «parkas» e os porta-chaves com a sua marca, então à venda, também ajudavam a resolver o publicitário problema.

A terminar, dizia-se apenas que a universidade «assentava, juridicamente, numa cooperativa de ensino sem fins lucrativos» (isso nós já juridicamente sabemos), e que a propina mensal variava entre os 33 e os 38 contos, mesmo à justa para uma aquisição decente na Loja das Meias.


publicado por ag às 02:45 | link do post

Como diria o críptico Narciso Miranda sobre as sondagens, os links valem o que valem. Ainda assim, só o baixo desmazelo justifica a exclusão, até agora, do Comprometido Espectador na lista ao lado (ver, por favor, a lista ao lado). Afinal, é dos blogues que leio regularmente. Dos ausentes, também leio o Pipi, claro, mas o Pipi não precisa de link nenhum. Pronto, está bem, leva com este. E é, sem trocadilhos, um pau.


publicado por ag às 00:59 | link do post

Quarta-feira, 20 de Agosto de 2003
Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, a embaixada de Israel em Paris pediu a Serge Gainsbourg uma espécie de estímulo para a ocasião. Gainsbourg compôs, gravou e ofereceu «Le Sable et le Soldat». Talvez graças à rapidez com que se arrasaram as «temíveis forças» de Nasser, a canção não foi aproveitada e permaneceu desconhecida até 2002, quando as rádios a transmitiram pela primeira vez. Hoje, que eu saiba, continua inédita no que toca a edições oficiais (eu envio por mail aos interessados), e não é nenhuma obra-prima. Mas, em hora igualmente difícil, sempre funciona como um hino da resistência à barbárie:



Oui, je défendrai le sable d'Israël,

La terre d'Israël, les enfants d'Israël;

Quitte à mourir pour le sable d'Israël,

La terre d'Israël, les enfants d'Israël;



Je défendrai contre tout ennemi,

Le sable et la terre, qui m'étaient promis



Je défendrai le sable d'Israël,

Les villes d'Israël, le pays d'Israël;

Quitte à mourir pour le sable d'Israël,

Les villes d'Israël, le pays d'Israël;



Tous les Goliaths venus des pyramides,

Reculeront devant l'étoile de David.


publicado por ag às 17:51 | link do post

Puebla de Sanabria, Espanha. Simpático até mais não, o dono de uma adega informa-me que os vinhos portugueses merecem pouca ou nenhuma consideração naquelas bandas. Como usa suceder em ocasiões assim, sinto uma comichão na ossada pátria e preparo-me para atirar sobre Castela todo o ancestral engenho lusitano. Como usa suceder em ocasiões assim, páro um instante para pensar e perco a batalha por falta de comparência. No caso, encolhi os ombros, murmurei um disparate qualquer sobre variações de qualidade, estendi uma nota de vinte e saí cá para fora com meia dúzia de garrafas de Toro, o espólio possível.


publicado por ag às 13:28 | link do post

Não, não é o Serra Mãe que «anda a ficar iconoclasta»: o Umbigo é mesmo bom. Descobri-o tarde (depois do Flor de Obsessão, por exemplo), mas a horas.


publicado por ag às 02:11 | link do post

É verdade: Jerusalém foi igualmente alvo de um atentado. Vinte mortos, mais ou menos. O trivial. Não ouvi em lado nenhum as ilações da esquerda e não quero ouvir. O ódio justifica-se por si, e as respectivas celebrações não exigem tamanho ruído. Há oito dias, eu e a minha amiga muçulmana, devota da ala xiita, víamos o «telejornal» sozinhos e em silêncio. Após a exploração dos incêndios, surgiu uma breve reportagem sobre um «mártir» que se explodiu perto de Telavive. Entre nós os dois, nem uma palavra. Eu continuei a fitar o televisor, os destroços, os feridos; ela baixou o olhar, procurou uma providencial revista e desatou a folheá-la sem nexo ou culpa. Mas aquela espécie de embaraço ninguém lho tirou. Acreditem: foi uma das vitórias mais repugnantes que já experimentei.


publicado por ag às 01:35 | link do post

Terça-feira, 19 de Agosto de 2003
Excepcionalmente, vejo boa parte do Jornal da Tarde, na RTP. Carlos Daniel, bom rapaz e meu ex-colega de faculdade, introduz as notícias: bola, fogos, rescaldos e as «curiosidades» que esticam os noticiários para durações insuportáveis. Serviço público, enfim, coroado pelo «Regiões» que eu também decido contemplar em rotineiro acto de contrição. Três horas depois, ligo por ligar a TSF e devo ser o último ocidental a saber do atentado de Bagdad, poucos minutos antes de se confirmar a morte de Sérgio Vieira de Mello. Em seguida, irrompem os «comentários», de Mário Soares, Francisco Louçã, madame Gomes, um porta-voz anónimo do PCP e José Goulão, outro porta-voz, menos anónimo, do PCP. Mesmo condenando, muito a contragosto, o crime, este curioso grupo de reflexão prefere acusar americanos e britânicos, os «invasores», pela morte do representante da ONU no Iraque. Dizem isto e anunciam, felicíssimos, a chegada do caos. Eu escuto e repito para comigo: o terrorismo não mata, o terrorismo reage. Consequência forçada de um mal maior, o terrorismo é, afinal, compreensível, até tolerável e, que se lixe, bom. Eu repito e aprendo. Não fora a nossa esquerda e uma pessoa passava a vida imersa na ignorância mais atroz.


publicado por ag às 22:32 | link do post

As férias, aqui em Trás-os-Montes, decidiram prolongar-se por mais uns dias. Nada a obstar. Ao alcance da mão, tenho: a imaculada paisagem da região, jornais, uma parcela satisfatória da minha humilde bibblioteca, ignorados ribeiros de água fresca, restaurantes sublimes. E música. Hoje, por exemplo, enquanto tomava um café matinal, a minha mulher lembrou-se do melhor disco do mundo: um qualquer «best of» de Kurt Weill, na voz da esposa Lotte Lenya. Embora a tese seja discutível, diversas razões impediram talvez Weill de aceder com inteira propriedade ao restrito clube dos clássicos, a que pertencem Porter, Gershwin, Berlin, Arlen e até Rodgers. Gosto de todos, com nuances, tanto quanto é humanamente viável gostar. Mas Weill, sobretudo no algo menosprezado período americano, tem para mim um brilhozinho especial. «September Song», já se sabe, é standard absoluto. E «Lost in the Stars» anda lá perto. Mas «It Never Was You», desde que na voz da senhora LL, é a mais bela canção popular que existe. Foi tocada hoje, em Vimioso, nos confins da nacionalidade. E quase juro que o milhafre que planava ali fora se aproximou para ouvir melhor.


publicado por ag às 21:50 | link do post

Segunda-feira, 18 de Agosto de 2003
Não bastava a história do Acontece. O actual Governo faz o possível e o impossível para desacreditar a cultura nacional. Uma coisa, muito ao jeito do PS, é financiar curtas-metragens de promessas do cinema português; outra coisa é transmiti-las. Verdade que as passam na RTP2, madrugada de domingo, pino do Verão. Mas a dúzia e meia de espectadores que depara com o espectáculo fica para sempre convertida à visão «economicista» da cultura, que tanto aflige o dr. Carrilho. Explico melhor: há um programa, que não conhecia, chamado Noites Curtas do Onda-Curta, um nome que já em si define uma atitude. Na emissão de ontem, o programa constou de três filmes. Um leigo sabe que são filmes porque, comprovadamente, houve uma câmara que registou a fala (rara) e o movimento (escasso) de uns sujeitos. E só. No resto, não se vislumbra a mais vaga semelhança entre esta espécie de produtos e a forma artística que nos legou «Young Mr. Lincoln». Claro que, aos primeiros instantes, eu e quem estava comigo ainda tomámos aquilo à laia de comédia não deliberada, um género assaz subvalorizado. Quando irrompeu o terceiro esboço de «filme», parece que baseado no famoso escritor Mia Couto, já estávamos dispostos a espancar severamente os autores da monstruosidade. E a processar judicialmente a rapaziada que, a expensas nossas, decidiu pagá-la. Mas são fulgores momentâneos. Depois uma pessoa bebe outro copo de vinho, chega-se à noite morna pelo alpendre, olha as insondáveis constelações, e deixa correr. Ser português também exige este desprendimento quase filosófico. Ou então a piada perdia-se.



publicado por ag às 15:07 | link do post

Mesmo o acompanhamento das notícias tem sido reduzido. Leio a imprensa na diagonal e desde quarta não vejo telejornais. Embora presuma que os incêndios continuam algures, aqui no Nordeste não vi a sombra de um. Sei apenas que Nova Iorque se apagou, felizmente durante umas horas. Que o Idi Amin, idem, felizmente para a eternidade. Sei que o funeral de um antigo militar suscitou hoje, no Público, um artigo divertido do alegado Major Tomé. E sei que o campeonato da bola começou entre moscas e embaraços (ainda que isto, estou em crer, não seja bem uma novidade).


publicado por ag às 15:05 | link do post

Eu devia saber. Em tempo de férias, a actualização de um blogue depende menos de factores informáticos do que da vontade ou lembrança. Entre umas braçadas no rio, a conversa com os amigos e épicas jantaradas, sobra pouco para ler, quanto mais para escrever. Acima dos constrangimentos desta rotina, não é provável que os blogues se insurjam. Mas é possível: anteontem, findo um repasto normalmente perfeito no Solar Bragançano, em cujo pátio interior se está no céu, dei com um romance do Francisco José Viegas pousado numa das salas, livro com dedicatória e agradecimento ao proprietário pela refeição. Do FJV ao Aviz foi um saltinho mental, tal como do Aviz para o Homem a Dias e este vício recente, do qual talvez começasse a esquecer-me. Recaída inevitável. Que querem? Tive saudades.



publicado por ag às 14:59 | link do post

Quinta-feira, 14 de Agosto de 2003
Daqui a umas horas, parto para férias. Coisa breve, quatro ou cinco dias. Coisa discreta, também: Vimioso, distrito de Bragança, Trás-os-Montes. Já me esquecia: fica em Portugal. Se algum blogueiro amigo passar por lá, pergunte e considere-se convidado para um café no «Girassol», junto à igreja matriz, numa das praças bonitas que ainda restam por aí. Ou um jantar no «Lareira», em Mogadouro. Dormida não ofereço que os quartos estão cheios com outros amigos. Serve o intróito para avisar que o Homem a Dias não manterá a regularidade habitual durante este período. Se manterá alguma espécie de regularidade, é caso a ver. O portátil está avariado. Os correios locais (com acesso à net, anda-me!) fecham até segunda. Sobra-me o Nokia Communicator (uma mariquice adorável), que já testei no blogue com resultados positivos, excepto para a minha paciência. Mas, parafraseando o falecido Jardel, o Alberto Gonçalves está confiante, o Alberto Gonçalves acha que tudo correrá pelo melhor. O Alberto Gonçalves despede-se: até já.


publicado por ag às 17:43 | link do post

Nem sou particular fã da banda, mas há vários dias que quase só ouço «Sometimes it Hurts», do último álbum dos Tindersticks (com a voz de uma tal Ihasa De Sela). Não tem nada de especial? À superfície, realmente não tem. Mas, dizia o outro, é pelas brechas que entra a luz. E na música popular, embora com frequência rara e decrescente, às vezes há uma brecha que se abre.


publicado por ag às 16:59 | link do post

A propósito do post anterior, é curiosa a gentileza com que a maioria dos média acolheu os blogues. Mesmo com ocasionais imprecisões, erros factuais, abordagens apressadas, os jornais e, em menor escala, as televisões têm sido atentos e simpáticos para com a blogosfera, dedicando-lhe uma atenção que ninguém, há três ou quatro meses, poderia adivinhar. Sobretudo, já se sabe, a partir do surgimento do Abrupto, do conturbado fim da Coluna Infame e do Destaque do «Público». Claro que também não faltam, aqui e ali, os artigos encarniçados, repletos de pavor concorrencial. Porém, conhecendo-se o que a «casa» gasta, esperava-se que estes fossem a regra. Não são, o que até a um patriota descrente parece um bom sinal. Mas o patriota descrente não se esquece de perguntar: sinal de quê?


publicado por ag às 16:55 | link do post

E em cheio, ao referir-se digna e elogiosamente ao Homem a Dias na já incontornável Gazeta dos Blogues. Três sentidos vivas! à Maria José Oliveira.


publicado por ag às 11:16 | link do post

Julgo que o Bomba Inteligente foi o primeiro blogue a referir-se ao Homem a Dias. Por isso custa-me desiludir a Charlotte. Mas, agorinha mesmo, após uma investigação apurada dos respectivos arquivos, resolvi achar que o BI é talvez o melhor blogue que eu conheço.


publicado por ag às 01:53 | link do post

Quarta-feira, 13 de Agosto de 2003
A propósito de um artigo na Spectator, Manuel Falcão lembra o turismo de massas em países miseráveis, cada vez mais em voga. Partilho a estranheza, embora desde há uns anos com um critério de ressalva: caso queira, vou a qualquer país, pobre ou não, em que vigore uma democracia, real ou assemelhada. Isto é, a menos que me sequestrem, nunca porei os pés na República Dominicana ou na Cuba totalitária; mas fui ao México há menos de um ano e, salvo os excessos climáticos, não me arrependi. De resto, acho que para o turista médio a questão da miséria nem sequer se coloca, como atractivo ou factor de repulsa: contaram-me de um sujeito, bancário, que passou uma semana num «resort» das Caraíbas, e que, na volta, não conseguiu nomear o país em que estivera. Havendo sol e paisagem que encha uma câmara de vídeo, o turista médio fica satisfeito. Ele lá sabe. Quanto ao Brasil, julgo que M.F. se refere ao «paradisíaco Nordeste» dos folhetos, que é um continente de caciques e fome, bordado a leste por uma linha de areia. Se é isso, concordo inteiramente (dos sertões, interesso-me pela Revolta de Canudos e pouco mais, mas os livros bastam-me), e, na minha vida profissional, devo ter recusado umas quatro ou cinco viagens pagas a tal exotismo. Mas do Rio de Janeiro e, até certo ponto, de São Paulo, eu gosto muito. Concedo que entre a lei dos «Coronéis» e a lei dos gangues favelados talvez sobre idêntico espaço para a democracia. Que se lixe: baças e trémulas, em Ipanema ainda piscam as luzinhas da civilização.


publicado por ag às 17:03 | link do post

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